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Inundação no Ceará

Nota Explicativa
Esta pequena obra é o resultado de uma redação que elaborei em 22 de junho de 1977, quando cursava a 1ª série do 2º grau, no Ginásio Estadual Presidente Kennedy, município de Belford Roxo - RJ.
O tema sugerido foi que cada aluno dissertasse sobre a desfiguração da natureza, escolhendo o que cada um achasse conveniente. Usei da imaginação para falar sobre um assunto do qual tinha pequena informação, pois, à época do ocorrido, tinha 17 anos incompletos.
Hoje, 29 anos depois, conservando o texto original, acrescentei outros dados comprobatórios acerca daquele acontecimento. Os acréscimos estão em negrito.
Rio - 2006.

Inundação no Ceará:
A catástrofe que repercutiu no mundo inteiro
Os habitantes de algumas cidades do interior do estado do Ceará, há muito padecendo as inclemências de um sol causticante, que fazia ressecar todas as plantações, já se encontravam desanimados, sem esperança, muitos dos quais empreendendo as suas viagens em busca de um solo fértil, onde pudessem levar a efeito a execução dos trabalhos da lavoura, para a plantação do milho, feijão, arroz, etc.

Não encontravam um meio seguro de sobrevivência, uma vez que a principal fonte já revelara a sua insuficiência, em virtude dos fatores negativos acima descritos.

Aquelas populações insatisfeitas, famintas, quase a perecer, refletiam em seus semblantes uma atitude de desespero. Muitos, entretanto, pareciam desafiar as circunstâncias, perseverando firmes, num propósito de não abandonar a sua cidade natal.

Não se esperava que no início da década de 60 houvesse uma mudança tão radical no clima daquela região, mudança essa que parecia reagir aos sofrimentos experimentados por seus habitantes.

À primeira vista, provavelmente, houve uma espécie de reavivamento por parte de muitas pessoas, pois, quando os céus daquele solo anunciaram a presença de chuva, a agitação foi geral: os comentários das gentes, em todas as direções, não cessavam; iriam fazer as suas plantações e, muitos, que já haviam partido para outras terras, começavam a assumir novas atitudes, regressando para as suas cidades, constituindo um verdadeiro nomadismo, à semelhança das tribos pré-históricas.

As precipitações atmosféricas, contudo, representadas pelas chuvas, começaram a assustar os moradores daquelas cidades. Pouco a pouco as águas se avolumavam, fazendo transbordar pequenos e grandes rios. As populações amedrontadas não podiam, por isso, realizar nenhum trabalho de plantação. Muitos procuravam entender o porquê desse desafio enigmático que a Natureza apresentava: antes, pela seca interminável; agora, pela chuva intensa e permanente.

Diante dessa antítese o temor se apoderou das populações, que não tinham uma explicação para tão estranho fato.

Ainda confiantes num retrocesso dessa situação calamitosa, as populações das cidades de Aracati, Russas, Itaiçaba, Jaguaribe, Limoeiro do Norte, Icó e Castanhão, que é um distrito de Alto Santo, tiveram que sair em debandada, em obediência forçada às ordens do Exército.

Poucos dias se haviam passado desde o início das chuvas, e as notícias de desabamento de casas circulavam por toda parte. Os rios (afluentes do Jaguaribe) ultrapassando os limites das suas margens, inundavam as regiões vizinhas, causando profundas destruições; os lugares mais elevados do solo, desprendendo pedras de tamanhos vários, causavam a morte de homens e animais. As portas das represas celeste não se fechavam e o povo empreendia suas mudanças, lastimando o desfavor que a sorte lhe facultava.

Não havia uma solução e o problema, cada vez mais, tomavam proporções indescritíveis.

Outras notícias se difundiam entre o povo, causando assombro e fazendo desmaiar homens e mulheres. O governo brasileiro cientificou-se do fato e começava a tomar as suas providências para socorrer os moradores daquelas cidades.

O flagelo era grande; as cidades estavam sendo totalmente abandonadas; os retirantes, dia e noite, não cessavam a sua caminhada, sofrendo por entre a tempestade de ventos impetuosos que sacudiam árvores e telhados.

As grandes represas ainda se mantinham firmes e desafiavam, soberbamente, o tempo.

As águas, num verdadeiro turbilhão, mostravam a sua capacidade destruidora.

As atitudes assumidas pelo Governo pouco mudavam a situação em favor do povo. Todos os recursos aplicados eram insuficientes para debelar as dificuldades e o povo sentia insegurança, esperando a morte.

Diante de tal expectação, muitos retrocediam em seus intentos de fuga; resolviam aguardar a destruição que lhes parecia fatal.

Novas notícias vieram a circular, desta vez em caráter mais alarmante: "O açude Orós revela a sua impotência e incapacidade para comportar as águas que, incessantemente, caminham em sua direção". Aquela grande represa, com capacidade para 4 bilhões de metros cúbicos de água, pela primeira vez declara, publicamente, a sua impossibilidade para conter tão grande volume de matéria líquida, sofrendo uma ruptura parcial de sua barragem.

Foi exatamente no dia 26 de março de 1960, às 10 horas, que um grande e terrível estrondo é ouvido a grande distância. As águas armazenadas no gigantesco açude ultrapassaram o nível da barragem e invadiram toda a extensão do vale do Jaguaribe, destruindo o que encontrava pela frente: povoações, cultivos, criações; deixando, como consequência, a morte, a miséria e o desabrigo, vitimando, segundo se sabe, mais de 300 mil pessoas.

Tudo se apresentava mudado. As poucas árvores que restavam, desfolhadas e inclinadas devido à ação dos ventos destruidores, proclamavam, unanimemente, os resultados daquela horripilante catástrofe.

Como vimos, localidades houve que foram totalmente cobertas pelas águas, que fizeram desaparecer todo e qualquer vestígio de habitação.

Novas e reforçadas providências são levadas a efeito pelo governo federal em favor dos flagelados cearenses, enquanto as chuvas diminuem seu ímpeto, trazendo novas esperanças para as populações desabrigadas.

Ao cabo de algum tempo cessam as chuvas e um arco-íris traça nos céus uma palavra de esperança, respondendo, com a sua presença, aos clamores incessantes do povo que procura a salvação.

O fato sensibilizou a todos. A angústia daqueles nossos irmãos cearenses transferiu-se para todos nós. Todos sofreram com tal espetáculo, que constituiu uma verdadeira incógnita para muitas almas.

Não se sabe, até agora, se tal demonstração do poder indomável da Natureza representou um castigo para reprimir os abusos do pensamento humano, resultado do seu livre arbítrio, ou se foi uma consequência natural das condições meteorológicas.

Contudo, a mão de Deus pôde controlar todas as circunstâncias desfavoráveis, que pareciam incontroladas, e a paz voltou a reinar entre o povo.

Direitos Autorais Reservados
Autor: Idalino Rodrigues de Freitas
Formado em Direito pela U.G.F - RJ

Os Arcanos da Política

A palavra política apresenta uma série de definições. Não queremos, nesta palestra, apresentar os conceitos ou as definições desta tão importante palavra.

De conformidade com os estudiosos, a Política é uma Ciência, a Ciência do Estado, a arte de bem governar os povos.

Paremos por aqui a fim de que falemos sobre os Arcanos ou mistérios da Política. Em que sentido a Política se constitui num mistério? No modo como os homens tem sido atraídos por ela.

É aqui que encontramos dificuldade para explicar o ministério que envolve essa tão estranha atração.

O que é que atrai os homens para a Política? É a facilidade que existe, nesse campo, para a prática da politicagem.

Aqui as coisas se invertem: a política propriamente dita, transforma-se em politicagem, que quer dizer política estreita, ardilosa, mesquinha e artificiosa.

Muitos são os candidatos, e são tantos que a Política, como uma Ciência, ainda não descobriu a incoerência dessa carreira frenética. E essa carreira, em busca do cobiçado talismã, já atingiu o paroxismo, e a grande Ciência Política não percebe que a politicagem deturpa os fins sublimes a que ela se propõe, qual seja, o bem comum, que é a meta primordial do Estado.

Se a Ciência Política é a arte de bem governar os povos, dentre outras funções, não deveria permitir o desgoverno produzido por aqueles que nunca souberam discernir o seu real significado.

O interesse de determinados indivíduos para o conhecimento desta Ciência seria um bom ponto de partida para a solidificação de nobres ideais. Contudo, o que se observa é a competição levada a efeito por pessoas sem nenhum entendimento nessa área, procurando apropriar-se de um direito que não é o seu.

Vota e ser votado é um preceito constitucional e democrático. Entretanto, prevalecer-se deste princípio para requerer do povo a eleição de determinados indivíduos, constitui um contra-senso, sendo esta a razão por que muita coisa anda errada em nosso país e em todo o mundo.

Homens sem nenhuma visão administrativa, sem nenhum interesse de ordem moral, enclausuram-se nos bastidores da política e aí ficam, anos a fio, prejudicando o povo e a nação.

Indivíduos sem escrúpulo, imorais, interesseiros, têm conquistado cadeiras nas diversas Câmaras, constituindo, isto, uma verdadeira Antítese, que poderíamos classificá-las de Antítese Política.

Infelizmente, grande parte do povo contribui para que isto aconteça.

Este é um tema muito amplo, não podendo ser sintetizado em duas palavras.

Muito embora não seja fácil a escolha de um candidato que preencha os requisito morais de que é digna uma nação, paremos para pensar e, sobretudo, para votar.

Direitos Autorais Reservados
Autor: Idalino Rodrigues de Freitas
Formado em Direito pela U.G.F - RJ

POSITIVOS E NEGATIVOS

POSITIVOS E NEGATIVOS

Reflexões Acerca da Vida em Sociedade

Por que é que se fala tanto sobre certos problemas negativos que dificultam a vida em sociedade?

Ora, difícil me seria dar uma resposta bem precisa, com referência ao assunto, caso eu não visse e nem sentisse, bem de perto, todas essas coisas. Contudo, vejamos se é ou não verdade o que, no momento, passo a afirmar:

É porque entre os homens:

Há conquista de liberdade, mas não há liberdade de conquista;

Há pobres para o direito, mas não há direito para os pobres;

Há homens para o progresso, mas não há progresso para esses homens;

Há muitos favorecidos, mas estes não favorecem;

Muitos trabalham para seu ganho, mas não ganham do seu trabalho;

Há muitos para o trabalho, mas não há trabalho para muitos;

O dinheiro ganha “homens”, mas Homens não ganham dinheiro;

Há homens para o conhecimento, mas não há o conhecimento para esses homens;

Há muitos esclarecidos, mas estes não esclarecem;

Poucos comem para viver e muitos vivem para comer;

Há muitas providências, mas providências não são tomadas;

O povo é de poder, mas o poder não é do povo;

Conhece-se a verdade, mas a verdade é desconhecida;

Há idéias dignas de apoio, mas não há apoio para essas idéias;

Há homens que mostram o direito, mas não há o direito de se mostrar esses homens.

Assim é o mundo de hoje; será também o de amanhã, se providências não forem tomadas.

Direitos Autorais Reservados

Autor: Idalino Rodrigues de Freitas

Formado em Direito pela U.G.F - RJ


Potências Latentes


PROCLAMAÇÃO DA VITÓRIA ATRAVÉS D'UMA VISÃO
INTUITIVA DA REALIDADE

O Homem, na sua trajetória terrestre, embaraçando-se aqui, desembaraçando-se ali, vê ofuscarem-se todas as luzes de esperança, e ainda assim, prossegue na sua marcha, rumo ao futuro, aspirando alcançar o alvo com que sonha a sua alma. Ante as dificuldades que se lhe apresentam, reaviva as suas esperanças, na certeza absoluta de que a vitória pertence aos que lutam denodados neste campo de batalha, que é a nossa vida. Contempla, ao longe, a existência de exércitos inimigos, prontos a investirem, a qualquer momento, contra o seu pequeno arraial. Grita por socorro, alcançando, finalmente, a adesão de pequeno reduto e, eficazmente arregimentado, aguarda a aproximação do inimigo.

Poucos conseguem resistir firmemente, enquanto muitos desistem da luta, procurando uma fuga. Porém, nos momentos mais decisivos, e fechadas que são todas as portas de escape, o grande guerreiro evoca das profundezas da alma, as armas da esperança e, com firmeza, embrenha-se nesse emaranhado exército, numa luta sem tréguas. Encontra-se, muitas vezes, sozinho nessa luta, suportando, com bravura, as inclemências dos seus inimigos que, sem vacilar, lhe obstruem os caminhos por onde tenta conduzir-se. Nem por isso desisti, sabendo que longo é o caminho, e que por esta razão, outras oportunidades ainda surgirão.

O aperto é grande; a luta continua; o forte guerreiro esmera-se a arte de lutar, vencendo alguns obstáculos que se lhe deparam a cada momento. A sua firmeza e intransigência fazem temer os seus inimigos, os quais desconhecem a razão última da sua intrepidez. Alguns dos seus aliados retrocedem; os seus adversários, despreparados, supostamente alcançam a vitória. Eis senão, quando reaparecem, no cenário da guerra, novos aliados, representados pela coragem e pela força da sua vontade, em face dos quais, os seus adversários parecem arrefecer. Não obstante tudo isto, a luta prossegue, produzindo alguns prejuízos para as partes litigantes. Mas o grande guerreiro, após breve recesso, refeito das forças e empunhando suas armas, retorna a marcha, com coragem impoluta. Não teme as consequências, muito embora saiba que são inevitáveis os perigos que o aguardam.

Novas oportunidades favoráveis deparam-se-lhe, conquista novos horizontes e proclama, vitorioso, a sua liberdade.

Assim foi, é e assim será o triunfo do homem, que neste mundo não fala em derrotas, não se lança ao pessimismo, não de desespera, mas, obscurecendo todas as derrotas passadas que lhe foram fatais, tenta reedificar sobre as ruínas do passado, um novo edifício, cujos fundamentos não se abalam, porque firmados na rocha da paz, da esperança, e sobretudo do amor, que é o vínculo da perfeição.

Direitos Autorais Reservados
Autor: Pr. Idalino Rodrigues de Freitas
Formado em Direito Pela U.G.F - RJ

Mensagem ao Estudante



Pensava você que eu não estava a par dos traumas que o perturbam? Pois saiba que o acompanho em toda a trajetória da vida estudantil.

Escrevo-lhe porque passei o que você passa e sofri o que você está sofrendo.

Estudar é, na verdade, uma tarefa difícil. Está reservada para as pessoas de firmes ideais.

Entendo a sua decepção por não poder, muitas vezes, corresponder à expectativa do seu professor. Você encontra dificuldades para acompanhar a matéria, mas tudo isto é natural.

Esforce-se o quanto puder, pois não há luz vermelha nos caminhos dos heróis da esperança. A luz verde está sempre a brilhar à sua frente. A estrada é sempre livre e o tempo está a sua disposição.

Congratulo-me com você que alcança aprovação imediata. Isto pode decorrer de um dom natural na apreensão dos conhecimentos que lhe são ministrados. Não podemos nos esquecer, entretanto, de que, não obstante esse dom, nada se consegue nesse campo sem um grande esforço.

Parabéns, a você que tem uma percepção imediata das coisas: Deus assim o quis.

Por sua vez, a vitória está reservada àquele que, com dificuldade, teve a coragem de se perfilar ao lado dos mais aplicados nesta grande tarefa. Isto constitui verdadeiro heroísmo.

Dirijo, também, uma palavra ao estudante que, até agora, não quis assumir um compromisso sério consigo mesmo. Refiro-me àquele estudante que vive só para "colar".

Havia nos tempos antigos, no período da lei e dos Profetas, e bem assim, nos tempos do novo testamento, um classe de homens denominada escribas. Esses homens tinham uma missão toda especial: viviam para copiar os textos sagrados. Os escribas realizavam uma tarefa muito importante e faziam-na legalmente.

Os "escribas" de hoje também vivem para copiar, só que o fazem clandestinamente.

Assuma um compromisso sério consigo mesmo. A vitória, neste caso, lhe será fatal, ainda que demore um pouco, pois, como já afirmei, os caminhos estão sempre abertos e o tempo lhe será favorável.

Olhe para a frente e contemple a luz verde nos caminhos da vida.

Direitos Autorais Reservados
Autor: Idalino Rodrigues de Freitas
Formado em Direito pela U.G.F - RJ

Mensagem aos Professores


Em tempos idos, um grande ideal dominou o vosso ser. Isto ocorreu quando dos vossos primeiros contatos com a escola, como alunos. Palmilhando sempre a mesma estrada, dia após dia, o cansaço, às vezes, vos dominava.
Diante das incertezas, uma coisa vos fazia prosseguir: a convicção de que um dia seríeis professores.

E, quantos embates, resultantes de circunstâncias negativas; quanto desânimo, oriundo das grandes pelejas, essa competição interminável em prol da sobrevivência.

Tudo isso foi suplantado por um grande ideal que, em estado latente, falava ao vosso coração.

Hoje, alguns anos depois - ou alguns decênios - ? vós professores ainda continuais vislumbrando auroras. Para vós, tudo se inicia. Estão sempre nascendo em vossas mentes novos conceitos, e novos horizontes estais a descortinar.

Saúdo-vos, amigos professores, por vossa árdua tarefa, eminentemente sacerdotal. Não tenho dúvidas de que aqueles que prosseguem nessa caminhada, obscurecendo injustiças, ingratidões e, muitas vezes, desprezo, estão, na verdade, cumprindo um verdadeiro sacerdócio.

Dirijo-me aos professores vocacionados, àqueles que tem um visão ampla da realidade, aos que venceram e quiseram partilhar a sua vitória, transmitindo os seu conhecimentos.

Firmeza, amigos professores. A vitória vos está garantida. Falo com plena convicção, pois a minha vitória dependeu da vossa dedicação. Agradeçamos juntos, a Deus.

Acompanho a vossa luta interior, quando está na vossa dependência a reprovação de um aluno. Reconheço que ficais tristes ao terdes que tomar tal decisão. Contudo, a justiça deve prevalecer, e todo sacerdócio carrega consigo uma espada de dois gumes, representando a justiça e o amor. A justiça e o amor, entretanto, neste contexto, são uma e a mesma realidade, contemplada de dois ângulos diferentes.

Continuai a vossa luta. A transposição das barreiras dependerá da vossa perseverança. Falo com seriedade: lutai e combatei, com firmeza, e nada se vos apresentará demasiado difícil.

Vós, professores, sois muito honrados. Todas as classes superiores vos são devedoras, dependeram do vosso ensino.

Bem que podíeis vos orgulhar, mas é exatamente o que não fazeis, porque reconheceis que os dotes que tendes, constituem dom de Deus.

Saúdo-vos, num amplexo de amor, lamentando não poder estar sempre ao vosso lado, como aluno que sou.

Direitos Autorais Reservados
Autor: Idalino Rodrigues de Freitas
Formado em Direito pela U.G.F - RJ

Influências benéficas de um novo dia

Bom seria que nos tornássemos receptivos para com as grandes e infindas riquezas provindas da presença de um novo dia que, incessantemente, se nos apresenta.
Sem que contribuamos para que isso aconteça, somos sempre saudados por um novo dia, cujos raios solares nos infundem esperança, sentimento de vitória, pois, tais manifestações da natureza estão como que a nos indicar a atuação de um Deus que tudo pode.
Constitui profunda irreverência a atitude assumida por muitos, ao iniciarem as suas atividades cotidianas dissociados desse compromisso de honrar o Criador pelos benefícios que nos concede.
Seres animados e inanimados estão sempre a nos desafiar, executando livre e espontaneamente as ordens de Deus.
Contemplemos o vôo dos pássaros, o movimento dos astros, a função singular dos ventos quando, transportando o pólen vital, cooperam na reprodução de vegetais.
E todos agem e se movimentam com tal simetria que se tornam invejáveis.
O mau humor que, regra geral, domina muitas pessoas, resulta dessa falta de percepção da presença de Deus no universo.
Ao iniciarmos as nossas atividades diárias, temos ao nosso favor o fator tempo, que nos favorece na resolução dos problemas; ao contemplarmos os horizontes em derredor, sob a claridade de um sol matinal, enchemo-nos de saudades, ansiando transpô-los num vôo orbital, a semelhança dos planetas que, saudando o grande astro, nunca cessam essa atividade através dos tempos.
Mesmo quando o novo dia se nos afigura empanado por negras nuvens, prenunciando o que costumam chamar de "mau tempo", valemo-nos da esperança e, lançando um olhar transcendente, contemplamos, pela fé, os raios solares de belo dia, o qual, mesmo que ainda distante, suplanta as sombras do presente, transformando-as em nuvens transparentes.
Somente por meio desse olhar transcendente, ou seja, desse olhar que ultrapassa as dificuldades atuais, podemos adquirir forças suficientes, tomando posse da vitória.
Portemo-nos de tal modo, que nos tornemos dignos de ser participantes dos efeitos benéficos que um novo dia nos oferece.

Direitos Autorais Reservados
Autor: Idalino Rodrigues de Freitas
Formado em Direito pela U.G.f - RJ

Honestidade, o que é?

Em síntese eu diria que honestidade é sinônimo de sofrimento. Ser honesto, portanto, é ser sofredor.
A minha preocupação maior, na apreciação deste tema, não foi relacionar todos os sinônimos da palavra honestidade, conforme consignados no dicionário. Preocupei-me, sim, em demonstrar, por meio da minha própria experiência, o significado desta palavra.
È certo que não deixarei de afirmar que a palavra honestidade está relacionada com integridade e justiça e, partindo destes conceitos, tentarei estabelecer a base da minha dissertação.
Há muito que este assunto me vem preocupando, chegando à conclusão definitiva de que precisava falar sobre ele.
Na lufa-lufa em que vivemos, sobretudo nos grandes centros urbanos, presencia-se uma tendência muito acentuada nas pessoas para cederem ao impulso negativo das suas ambições.
Raramente encontramos pessoas fiéis nos seus atos e atitudes. A desconfiança se faz sentir nos semblantes dos transeuntes quando, na suas luta diuturna, cruzam as praças e avenidas das nossas cidades. As massas se agitam na busca de uma solução para o grande problema.
Falar sobre este tema é uma tarefa sobremodo árdua. Somente quem sofre, tem um ideal superior e compromisso com a verdade, somente este pode levar a cabo uma empresa desta natureza.
Falar sobre este assunto equivale a ser testado, observado, fiscalizado e até mesmo perseguido.
Uma das razões que me despertaram para salientar este assunto foi o entendimento ou convicção da existência de inúmeros sofredores solitários, verdadeiros heróis que, não obstante a predominância da injustiça que campeia por toda parte, resolveram se manter firmes no seu ideal, obedecendo aos reclamos da sua consciência. Isto é sofrer. Caminhar solitariamente por entre tão grande tempestade é amargo, mas é, também, felicidade.
Ser honesto é, em muitos casos, ser desprezado e também maltratado.
Repito que ser honesto é ter um grande compromisso com a verdade, obedecendo aos ditames da consciência, e isto é sofrer. É um sofrimento cujos resultados são benéficos.
Ser honesto é ter a coragem de iniciar uma nova vida, abdicar de padrões de vida não condizentes com a verdade, e isto é sofrer.
Vamos engrossar as fileiras dos benfeitores. Sei que isto, em muitos casos, torna-se "vergonhoso", "arcaico", "fora-de-moda"; contudo, ultrapassar tudo isto constitui um sofrimento e por isso afirmo que ser honesto é ser sofredor.
Quem se propuser a tal coisa, certamente não será bem aplaudido, mas, coragem, a vitória será inevitável.
Um dia as coisas hão de se inverter, não sabemos quando.
Urge, portanto, que não desanimemos nesta tarefa e que a luta seja permanente. Não nos preocupemos com resultado imediatos; cedo ou tarde eles surgirão.
O que importa é que tenhamos uma atitude firme e permanente; e a manutenção de uma atitude honesta e sincera em meio à turbamulta dos inimigos do bem e da verdade, constitui sofrimento.
Desse modo, posso afirmar que esta é uma filosofia para os que pensam e sofrem.
Em muitos casos ser honesto é perder para que outros ganhem; e quando perdemos para que outros ganhem, também estamos ganhando.
Ser honesto é permitir que outros tenham, também, as oportunidades que tivemos, e isto é sofrer, porque normalmente requer-se coragem e bravura para vencer o egoísmo que, em regra, nos domina.
Ser honesto é ser capaz de suportar ingratidões, pois, muitas vezes estas decorrem dos nossos comportamentos desajustados; e reconhecer esta verdade constitui sofrimento, porque traz sobre nós uma espécie de disciplina.
Ser honesto é rejeitar certas oportunidades que nos são oferecidas quando estas, finalmente, redundarem em prejuízo alheio.
Ser honesto é ter a coragem de não se exaltar. É não dizer sobre si mesmo mais do que o real, e isto também é sofrimento, uma vez que o egoísmo nos impede a extrapolar.
Sejamos corajosos no combate às tendências negativas. Elas são muito atuantes em nossa natureza, mas podem ser vencidas.
Para a conservação da honestidade, precisamos manter uma constante vigilância sobre nós mesmos, a fim de que não sejamos traídos pelas nossas emoções.
Quem se propõe falar sobre honestidade, não pode prescindir de um exercício permanente da prática de atos puros..
Corrijamos nossos atos desleais quando estes, por circunstâncias tais, não puderem ser observados por outros.
Caso não haja essa autocrítica, certamente seremos cobrados mais tarde.
A honestidade desaparece quando temos a oportunidade para a conquista de liberdade e privamos a outros da liberdade de conquista.
Ser honesto é ser confidente; é não difundir em praça pública e nem mesmo ao nosso vizinho os segredos que nos foram confiados.

Direitos Autorais Reservados
Autor: Idalino Rodrigues de Freitas
Formado em Direito pela U.G.F - RJ
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